Muita gente já sabe que o vício em apostas virtuais se tornou um problema grave de saúde pública no Brasil. Reconhecido pela Organização Mundial da Saúde, a OMS, como ludopatia, o distúrbio gera um custo social anual estimado em R$ 38,8 bilhões ao país. Os dados integram o dossiê A Saúde dos Brasileiros em Jogo, produzido pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde em parceria com a Umane.
Desse montante, R$ 30,6 bilhões correspondem a impactos diretos e indiretos exclusivos na saúde da população. O cálculo inclui gastos com tratamentos médicos, perda de qualidade de vida por quadros de depressão e consequências mais extremas, como mortes por suicídio.
E essa epidemia tem reflexos claros no Sistema Único de Saúde, que totalizou mais de 10,5 mil atendimentos a pacientes por compulsão por apostas entre 2018 e maio de 2025. De acordo com o Ministério da Saúde, esse número é uma alta de 104% e foi impulsionado pela popularização desenfreada das plataformas digitais de jogo.
Com o avanço alarmante das estatísticas, o impacto das apostas pauta discussões urgentes entre gestores e especialistas. O tema assunto no Healthcare Innovation Show 2026, evento de tecnologia e gestão em saúde marcado para os dias 16 e 17 de setembro no São Paulo Expo.
Espera-se que o debate pressione por soluções coordenadas, com a busca por destinação de tributos do setor de jogos para financiar a Rede de Atenção Psicossocial, estratégias de prevenção e a regulação da publicidade das plataformas. A mesa contará com a presença de Claudia Ruggiero Longhi, Diretora da Divisão de Saúde Mental da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo.
A percepção dos especialistas é unânime: o problema extrapolou a barreira financeira. De acordo com Fernanda Fortuna, organizadora do evento e gerente de produto e conteúdo para a saúde da Informa Markets, “a inovação no setor exige capacidade de resposta rápida aos novos determinantes sociais e comportamentais. O vício em apostas deixou de ser uma pauta puramente econômica ou regulatória para se tornar um desafio assistencial e operacional para gestores públicos e privados”.
Claro que as apostas não são o único problema que enfrentamos nesse momento. Golpes de lojas falsas pipocam aos montes nas redes sociais, para não falar no tanto de questão que a inteligência artificial traz em nosso dia a dia. Sem falar no telemarketing, que já é antigo e até tem uma solução.
Você conhece alguém que sofreu com ludopatia ou alguém que já enfrentou esse problema com algum familiar ou amigo? Conta aí nos comentários.
A imagem de capa desta matéria foi feita a partir de uma ilutração de Shubham Dhage na Unsplash.
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