Se você planeja trocar de smartphone, TV ou atualizar o computador em breve, o cenário acaba de ficar mais preocupante. O alerta dado pela alta cúpula da Samsung sobre a escassez de componentes parece se concretizar de forma agressiva.
Novos relatos de mercado apontam que o preço das memórias pode subir até 80% com efeito imediato. A informação vem de distribuidores autorizados da divisão de semicondutores. Segundo o vazamento, publicado pelo perfil HaYaO no X/Twitter, uma concessionária oficial da Samsung anunciou um reajuste massivo nos preços de todos os produtos de memória.
Embora a empresa não confirme oficialmente esses valores, fontes ligadas ao campus da Samsung em Giheung, na Coreia do Sul, indicam que a nova tabela já vale, segundo o site WCCFTech. O dado assusta porque não se trata de um ajuste gradual, mas de um choque de oferta.
Como a produção de DRAM aumenta apenas timidamente este ano, o mercado enfrenta um gargalo que pressiona os preços para cima em toda a cadeia.
Co-CEO da Samsung já havia avisado
Esse movimento drástico dos distribuidores alinha-se ao aviso dado por TM Roh, co-CEO da Samsung, em uma entrevista à Reuters. O executivo foi categórico ao afirmar que a crise de componentes não deixará nenhuma empresa imune.
“Como essa situação não tem precedentes, nenhuma companhia está imune a este impacto”, disse Roh, que ainda adicionou que a crise afeta não apenas telefones móveis mas outros eletrônicos de consumo, de TVs a eletrodomésticos.
O co-CEO da Samsung ainda afirmou que a empresa trabalha com parceiros para minimizar o impacto, pelo menos no setor de smart TVs. Mas reforçou que algum aumento é “inevitável”.
A IA cobra a conta
Mas por que falta memória se a demanda por eletrônicos parecia estável? A culpa é da inteligência artificial. Grandes fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron desviam quase todos os seus recursos para fabricar chips HBM, ou memórias de alta largura de banda, em bom português.
Esses componentes são essenciais para servidores de IA, o que cria um efeito dominó. As fábricas focam em chips para inteligência artificial, que dão mais lucro, e a produção de memórias comuns para o consumidor final fica em segundo plano. Com a oferta em queda e a demanda estável, o preço dispara.
O que esperar: crise até 2027?
Além da memória RAM, a produção de memória flash NAND — usada no armazenamento do smartphone — também deve sofrer cortes. Projeções da consultoria TrendForce indicam que o setor deve continuar aquecido e com preços altos.
A escassez pode se estender até 2027. Em resumo, a prioridade da indústria agora é abastecer a infraestrutura das big techs. Para o consumidor, a consequência deve chegar em breve às etiquetas das lojas.
Ou seja, se você quer trocar de smartphone, computador ou qualquer outro dispositivo que utilize memória — basicamente qualquer dispositivo inteligente atual —, é melhor fazer isso agora. Ou, se puder, deixar para depois que a poeira baixar, se é que a crise vai passar.
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