A invasão chinesa no mercado brasileiro de smartphones ainda não conseguiu mudar o cenário das marcas mais populares do país. Samsung, Motorola, Xiaomi, Apple e Realme seguem no top 5 sem alteração nas posições desde 2022, quando a Maçã foi ultrapassada pela atual terceira colocada. E, por enquanto, não há indícios de que uma nova fabricante alcance porcentagem representativa por aqui tão cedo.
Os dados são de um relatório divulgado pela consultoria Omdia sobre o desempenho global de 2025. Há pequenas mudanças nas porcentagens das três maiores, que perderam espaço desde 2020 justamente pela chegada de novas opções. A Samsung, que chegou a ter 44% do mercado em 2021, chegou a cair para 38% em 2023 e agora volta à faixa dos 40% em 2025.
A Motorola, por outro lado, mantém uma tendência de queda desde 2021, quando atingiu 33% do mercado. A marca que pertence à Lenovo foi para 31% em 2022, 29% em 2023, 25% em 2024 e agora tem 24%. A Xiaomi, que apresentou crescimento entre 2020 e 2024, manteve os 16% no ano de 2025. Já a Apple, que cheogu a ter 11% em 2020, caiu para 8% nos anos seguintes e voltou a crescer em 2023 para 10%, repetiu os 7% de 2024 no ano passado.
A Realme é um dos casos de maior sucesso, já que chegou ao país em 2021 e já tem 7% do mercado nacional atualmente. O relatório da Omdia considera o total de smartphones vendidos no país ao longo dos 12 meses de cada ano, e não a quantidade de aparelhos ativos.
Capilaridade ajuda a manter o topo
Para entender o cenário, é preciso observar diversos aspectos do mercado brasileiro. O ponto principal é a capilaridade das marcas já estabelecidas. Além de possuírem fabricação nacional — aposta apenas mais recente entre as chinesas — marcas como Samsung, Motorola e Apple têm fortes parceiros no varejo. Além disso, são marcas mais conhecidas pela maioria das pessoas, que ficam menos receosas de comprar esses celulares.
Mas, ao olhar o crescimento da Realme, é possível ver que a resistência do brasileiro às chinesas e a marcas novas não é tão grande quanto muitos poderiam imaginar. A companhia precisou de quatro anos para alcançar 5% da fatia nacional. Oppo, Jovi e Honor chegaram ao país entre 2023 e 2024, e devem conquistar fatia relevante para aparecer no ranking nos próximos anos.
Outra empresa que tem forte presença na América Latina mas ainda não tem essa relevância por aqui é a Transsion. O grupo dono da Infinix começou a ampliar sua presença no Brasil nessa virada de 2025 para 2026, com a chegada das marcas Tecno e Itel no país.
O retrato da América Latina

Se o Brasil apresenta resistência, os países vizinhos mostram o impacto real do avanço chinês ao longo dos anos. O mercado latino-americano como um todo cresceu 12% no último ano e alcançou o recorde de 140,5 milhões de celulares enviados às lojas e viu a Xiaomi consolidar o segundo lugar da região.
A marca chinesa venceu um total de 24,6 milhões de unidades, um aumento de 8% em relação ao ano anterior. O sucesso da fabricante mistura o forte apelo dos modelos básicos da linha Redmi com o foco em custo-benefício dos aparelhos intermediários da família Poco — submarcas que são contabilizadas junto à principal.
Mas quem mais cresceu na região foi a Honor, que saltou para o quarto lugar com um crescimento impressionante de 48% em 2025. A marca, que surgiu dentro da Huawei e hoje opera de maneira independente, vendeu 11,8 milhões de dispositivos nos últimos doze meses na América Latina.
E se engana quem pensa que as marcas consolidadas assistem à invasão chinesa de braços cruzados. A liderança isolada da Samsung na América Latina, com 46,9 milhões de vendas, tem base em uma ofensiva direta contra as novatas nos segmentos mais baratos. A linha Galaxy A, focada em modelos de entrada, registrou um salto de 32% nos envios.
A Motorola perdeu espaço no Brasil, mas também mostrou poder de reação na região latino-americana. A empresa fechou o ano em terceiro lugar no continente e conseguiu reverter uma sequência de seis trimestres de baixas.
Outro exemplo da força das marcas tradicionais ocorre na América Central. Samsung e Motorola recuperaram mercado e voltaram a crescer naquela região como resposta estratégica ao avanço agressivo de empresas como Xiaomi e Transsion. Isso demonstra que as líderes globais adaptam suas táticas de preços e volume de estoque para frear o avanço chinês nos mercados emergentes.
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