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Por que a Samsung evita baterias de silício-carbono? Teste de 20.000 mAh dá a resposta

Os celulares com baterias de silício-carbono são cada vez mais comuns no mercado. Aparelhos com carga de 6.000 mAh, 7.000 mAh e até com 10.000 mAh já estão nas prateleiras, e nada de tijolões: a espessura é semelhante à de modelos com componente de íon de lítio que se tornou padrão. Mas Samsung e Apple ainda não adotaram a nova tecnologia, e muita gente se pergunta o motivo para isso.

Um teste da Samsung SDI com um experimento de bateria que totaliza 20.000 mAh, vazado por dois perfis no X/Twitter recentemente, ajuda a explicar. Em resumo, a empresa não está satisfeita com os resultados de uso a longo prazo, principalmente por conta de um inchaço no componente. Continue a ler para entender o caso.

Resultado decepciona

De acordo com o vazamento, o teste foi realizado com um sistema de célula dupla: uma bateria de 12.000 mAh trabalhava em conjunto com um componente de 8.000 mAh, o que totaliza 20.000 mAh de carga. Segundo o experimento, esse sistema energético foi capaz de oferecer 27 horas de tela ligada ininterruptamente.

A célula primária, de 12.000 mAh, tem dimensões de 100 x 68 x 6,3 mm, enquanto a segunda mede 100 x 68 x 4 mm. Se o sistema fosse usado em um smartphone, ele não seria tão fino quanto modelos atuais, mas também não chegaria a ser um tijolão — e aí depende de como as baterias ficariam dispostas, também. Daria para usar a dupla em um tablet sem grandes problemas.

Sistema duplo de bateria com 20.000 mAh da Samsung testado para smartphones
Sistema duplo de bateria com 20.000 mAh da Samsung testado para smartphones (Reprodução/phonefuturist/X)

Mas o problema real é outro: apesar de suportar cerca de 960 ciclos de carga em mais de um ano, a bateria apresentou inchaço. E não foi pouco: o componente de 8.000 mAh aumentou de 4 mm para 7,2 mm, 80% maior do que no início dos testes. Ou seja, é impossível utilizar esse componente em um smartphone.

O resultado decepcionante explica o motivo por trás de a Samsung manter cautela na adoção de novas tecnologias. Claro que é um experimento extremo, desde a capacidade total até o modelo de uso. Mas é assim que as empresas conseguem assegurar a segurança dos dispositivos que colocam no mercado.

A tecnologia por trás da inovação

Para entender o salto tecnológico, é preciso pontuar que o sistema ainda se baseia na química de íons de lítio. A revolução acontece no ânodo, o polo negativo da bateria. Enquanto as células tradicionais utilizam grafite para recepcionar os íons, a nova tecnologia adota um composto de silício-carbono.

A grande vantagem física é que os átomos de silício conseguem se ligar a uma quantidade de íons de lítio muito superior à do grafite — teoricamente, até 10 vezes mais. Isso resulta em uma densidade energética muito maior.

Em outras palavras, é possível armazenar muito mais energia no mesmo espaço físico. É essa eficiência que permite às fabricantes aumentarem a capacidade de carga sem transformar o celular em um tijolo na sua mão.

Íon de sódio é o próximo passo?

Baterias de íon de sódio podem ser um caminho para baratear dispositivos eletrônicos
Reprodução/Universidade Ciências de Tóquio

Enquanto a Samsung luta contra a física para estabilizar a densidade extrema com silício-carbono, pesquisadores da Universidade de Ciências de Tóquio apontam para um caminho alternativo: as baterias de íon de sódio. Diferente da abordagem da Samsung, que foca em aumentar a densidade energética, a tecnologia de sódio brilha na eficiência do fluxo.

O que ela promete? O estudo revelou que os íons de sódio se movem através dos materiais da bateria com menos resistência do que o lítio. Na prática, isso significa um carregamento consideravelmente mais rápido, já que o elemento exige menos energia para se acomodar nos espaços de armazenamento. Além da velocidade, o sódio leva vantagem na estabilidade térmica, com menos degradação em temperaturas extremas, como frio intenso ou calor de um carro fechado, comparado às células atuais.

O impacto no bolso: o ponto mais atraente para a indústria — e para o consumidor — é o custo. O lítio é um mineral caro e com cadeia de suprimentos complexa, enquanto o sódio é abundante e barato. A adoção dessa tecnologia poderia reduzir drasticamente o preço final dos smartphones.

Quando chega? Ainda é cedo. A tecnologia precisa amadurecer, e ainda não há um processo de produção em massa para competir com a densidade energética do lítio, que já tem décadas de otimização. Infelizmente, não há uma previsão para essa tecnologia chegar ao mercado, apesar de ser uma alternativa ao encarecimento causado pelo aumento nos preços de memória RAM.

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