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Bateria do futuro: Stanford cria ‘escudo de prata’ que garante carga rápida e vida longa

As baterias de estado sólido são consideradas a próxima geração dos componentes, mas ainda há uma grande quantidade de problemas a serem resolvidos antes que elas se tornem viáveis para a produção em massa. Pesquisadores de Stanford conseguiram um avanço recente que não só resolve um dos maiores obstáculos como possibilita que elas tenham carga mais rápida e vida mais longa.

Em um estudo publicado na Nature Materials, os pesquisadores explicam que aplicar uma fina camada de prata resolve uma das falhas mais críticas das baterias de estado sólido: a fragilidade. Eles concluíram que uma camada nanométrica do material pode aumentar consideravelmente a vida útil do componente. A descoberta promete destravar uma tecnologia que pode durar muito mais tempo que as atuais células de lítio.

Para entender o avanço, é preciso olhar para o defeito. Baterias de estado sólido trocam o líquido inflamável das baterias atuais por um eletrólito sólido, geralmente feito de cerâmica. O problema é que essa cerâmica é frágil. Durante o carregamento rápido, formam-se microscópicas rachaduras que permitem que o lítio se infiltre e criem dendritos que destroem o componente por dentro.

A solução encontrada pela equipe foi adicionar uma finíssima camada de prata, de apenas 3 nanômetros de espessura, sobre a cerâmica. Ao aquecer o material a 300°C, eles identificaram que o processo não criou apenas uma capa, mas que os íons de prata penetraram a superfície, no lugar dos átomos de lítio.

Em outras palavras, uma cama finíssima de prata evita que microfissuras da cerâmica sejam invadidas pelo lítio, e torna o o componente até cinco vezes mais resistente. De quebra, o carregamento rápido também foi “desbloqueado” para essas baterias.

Desafios: preço e viabilidade

Antes de se empolgar, é bom notar que o estudo levanta novos desafios — e não corrige todos os problemas dessas baterias. Primeiro tem o fator escala: a prata é um material nobre, o que levanta dúvidas imediatas sobre o custo final de fabricação. Depois, é preciso realizar mais experimentos antes de viabilizar a solução para produção em massa e posterior disponibilidade no mercado.

A boa notícia é que a quantidade de prata utilizada é muito pequena, já que a camada é nanométrica, ou seja, invisível a olho nu. Assim, o impacto final no preço do componente não é tão grande assim. Mas tem mais: segundo os pesquisadores, o processo pode ser feito com outros metais. Eles já testaram com o cobre, muito mais barato e abundante que a prata, e registraram resultados promissores.

Mas isso não quer dizer que veremos celulares com baterias de estado sólido nos próximos meses. O estudo foi validado em laboratório, e agora precisa ser realizado em baterias completas, que devem ser testadas à exaustão com milhares de ciclos de carga e descarga. Depois disso, ainda devemos ver essas baterias chegar primeiro a carros de luxo antes de chegar a aparelhos menores, como os celulares.

Bom lembrar que até mesmo as baterias de silício-carbono, que já são produzidas em larga escala e estão em alguns dispositivos, ainda estão em fase de testes. A Samsung recentemente teve um experimento com esse tipo de componente vazado com resultados desanimadores.

Afinal, o que é bateria de estado sólido?

Você provavelmente já ouviu ou leu alguma referência às baterias de estado sólido como “o Santo Graal” da energia. Mas o que as torna tão especiais? A diferença fundamental está no eletrólito — o meio por onde os íons viajam dentro da bateria para gerar energia.

Enquanto as baterias comuns _ inclusive as de íon de lítio — usam uma solução líquida e inflamável para isso, as novas utilizam um composto sólido, geralmente feito de cerâmica, vidro ou polímeros. Essa mudança estrutural traz três vantagens revolucionárias:

  1. Segurança: sem o líquido volátil, o risco de a bateria vazar, estufar ou pegar fogo em caso de perfuração é praticamente eliminado.
  2. Densidade energética: como são mais estáveis e compactas, elas conseguem armazenar muito mais energia no mesmo espaço. Imagine um celular com a mesma espessura do atual, mas com bateria que dura dois dias.
  3. Velocidade: elas suportam temperaturas mais altas e correntes elétricas mais fortes, o que, em teoria, permite carregamentos completos em coisa de minutos sem degradar o componente.

O único problema é a física: materiais sólidos tendem a trincar quando expandem e contraem durante o uso. É exatamente esse o gargalo que a descoberta da camada de prata de Stanford tenta resolver.

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