Ameaça de Trump pode render fim da ‘taxa das blusinhas’ no Brasil em favor da China

A possibilidade de os EUA taxarem produtos brasileiros em 50% pode render o fim da chamada ‘taxa das blusinhas’. Segundo uma coluna no site Metrópoles, governistas sondam o Centrão pela revogação da tarifa, que começou a ser cobrada em 1º de agosto do ano passado, como um gesto de boa vontade à China.

O imposto, que recai sobre compras de até US$ 50 feitas no exterior, teria sido um dos principais fatores para a queda na popularidade do presidente Lula, segundo avaliação da base aliada no Congresso. O governo só teria apoiado a proposta por uma pressão do então presidente da câmara, Arthur Lira, do PP, e do Centrão, de acordo com deputados e senadores governistas.

A ideia, agora, é avaliar se existe apoio de congressistas do Centrão para derrubar a taxa das blusinhas — cujo nome oficial é Remessa Conforme. Isso seria visto como um gesto de boa vontade com a China, principal país exportador de produtos com baixo custo, como capinhas e películas de celular e roupas, entre outros.

Já existe um Projeto de Decreto Legislativo para revogar o imposto, apresentado pelo deputado do União, Kim Kataguiri. Em um podcast, o congressista desafiou o líder do PR na Câmara, Lindbergh Farias, a apoiar o projeto. Porém, até o momento, o petista não assinou o documento.

Foto de algumas blusinhas penduradas em cabides, como em um mostruário de loja de roupas
Remessa Conforme ficou conhecida como taxa das blusinhas porque afetou compra de roupas na Shein (Catalin Apostol/Unsplash)

No caso de o imposto de 20% sobre compras de até US$ 50 no exterior cair, as principais varejistas beneficiadas seriam sites como Shein, Temu, Shopee e AliExpress. A suposta movimentação de governistas pela revogação já teria feito ações de varejistas brasileiras como Renner e C&A.

Caso a Remessa Conforme seja revogada, não apenas roupas poderão ser compradas a preços mais atraentes no varejo chinês. Produtos como capinhas e películas de celulares e tablets, carregadores, cabos e até alguns fones de ouvido, entre outros produtos, também podem ficar mais baratos.

Não custa lembrar que, além da Remessa Conforme — ou taxa das blusinhas — o ICMS sobre compras internacionais subiu em 10 estados brasileiros em abril. Ou seja, mesmo com a revogação do imposto federal sobre importações de até US$ 50, moradores dessas unidades federativas ainda pagarão taxa aumentada.

O que significa a ameaça de Trump?

Você deve ter lido que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou taxar em 50% os produtos brasileiros vendidos para os EUA. Segundo ele, isso acontecerá a partir de agosto, a menos que a Justiça brasileira não condene o ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de articular um golpe contra a democracia.

O comunicado foi feito em uma publicação na rede social Truth, que pertence ao próprio presidente estadounidense. O presidente Lula negou ter recebido carta ou documento oficial diretamente, e disse ter ficado sabendo da medida pela publicação no site de Trump.

Foto de um boneco tipo bobble head de Donald Trump que parece fazer um gesto pedindo calma, com os braços meio abertos e as mãos espalmadas
Donald Trump causa várias confusões em seu segundo mandato como presidente dos EUA (Sean Ferigan/Unsplash)

Com a tarifa, matérias-primas e produtos de origem brasileira serão sobretaxados em 50%, além de outros impostos já existentes atualmente. Isso encarecerá os produtos brasileiros nos EUA, e pode afetar, principalmente, petróleo bruto, aço semiacabado, ferro-gusa, café, laranja, carne e ovos.

O governo brasileiro pretende responder, e uma das possibilidades é aplicar uma taxa recíproca, que é prevista pela lei nacional. Com isso, produtos e matérias-primas de origem dos EUA também sofreriam uma sobretaxa. O país vende aeronaves comerciais, produtos petrolíferos, carvão e semicondutores para o Brasil, entre outras coisas.

Trump alegou, em seu comunicado, que os EUA teriam déficit comercial com o Brasil. Mas, de acordo com uma matéria do portal G1 publicada em fevereiro deste ano, o país norte-americano é superavitário em relação ao nosso desde 2009. Isso significa que o Brasil compra mais do vende para os Estados Unidos, o que gera uma balança comercial favorável ao país mais rico.

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