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Fim da Xiaomi raiz? HyperOS 3 fecha cerco contra bootloader, emuladores e traz bloatware cripto

Houve um tempo em que comprar um celular Xiaomi era um convite à liberdade. O hardware era barato, o sistema era modificável e a empresa praticamente incentivava a comunidade a explorar o potencial do aparelho. Mas, ao olhar para os movimentos recentes da gigante chinesa, fica claro que a ‘Xiaomi Raiz’ começou a ficar para trás.

Três notícias recentes, quando analisadas em conjunto, pintam um quadro preocupante para o usuário hardcore: o fechamento drástico do desbloqueio de bootloader, problemas de compatibilidade com emulação no novo sistema e a volta do fantasma do bloatware, agora com criptomoedas.

A Xiaomi quer ser a Apple. E isso pode não ser um elogio.

1. O adeus ao desbloqueio de Bootloader — na China, por enquanto

O golpe mais duro na comunidade veio com a confirmação de que a Xiaomi removeu completamente o portal de solicitação de desbloqueio de bootloader do aplicativo Mi Community na China. Antes, já era uma tarefa difícil, com uma taxa de sucesso estimada em ridículos 0,00001%, mas a opção existia. Agora, a porta foi fechada.

Para o entusiasta, isso é o fim da linha. Sem bootloader desbloqueado, não há acesso root, não há módulos de Magisk e, principalmente, não há custom ROMs. O desespero é tanto que usuários chineses já recorrem a engenharia social e tentam convencer técnicos de centros de serviço autorizados a desbloquear os aparelhos sob o pretexto de reparo de software.

Embora a medida afete diretamente a China, há um receio de ampliação para o mercado global. As políticas domésticas da Xiaomi costumam ser um prenúncio do que vem para o mercado internacional. Se essa moda pega por aqui, o diferencial da liberdade do Android nos aparelhos da marca morre de vez.

2. HyperOS 3: fluidez para as massas, dor de cabeça para a emulação

A nova HyperOS 3, baseada no Android 16, chegou com mais fluidez e rapidez para o usuário comum. No entanto, para o nicho de emulação, a atualização trouxe problemas.

Relatos de usuários no Reddit, especialmente de donos do tablet Xiaomi Pad 6S Pro, apontam instabilidades e flickering — aquelas piscadas na tela — em emuladores após o update, problemas que não existiam antes. Embora existam soluções paliativas, como a troca para drivers de GPU Turnip, essa correção não funciona nos chips mais novos, como o Snapdragon 8 Elite.

Ainda não está claro se é algum bug e se uma correção já esteja nos planos. O fato é que atualizar para a HyperOS 3, no momento, é um grande risco para usuários mais exigentes.

3. Mais Bloatware, e agora com criptomoedas

Enquanto a Xiaomi fecha a porta para a liberdade do usuário quer fazer, ela abre as janelas para o que o usuário não pediu. A empresa firmou uma parceria global com a Sei Labs para pré-instalar um aplicativo de carteira de criptomoedas em todos os novos smartphones lançados a partir de 2026.

São cerca de 160 milhões de dispositivos com um aplicativo de blockchain que a grande maioria não solicitou. Claro que EUA e China ficaram de fora dessa bagunça.

A justificativa é “impulsionar a tecnologia blockchain”. Mas para quem comprou o aparelho, o nome disso é bloatware. É um retrocesso na promessa de limpar a interface e respeitar o armazenamento do usuário.

Uma crise de identidade?

A Xiaomi vive um dilema. A empresa busca o prestígio e o controle fechado da Apple, mas construiu sua fama com uma base de público que valoriza a liberdade do Android. Ao travar o bootloader, ignorar a estabilidade de nichos como a emulação e forçar aplicativos comerciais, a empresa corre o risco de alienar os evangelistas da marca.

O HyperOS 3 pode ser mais rápido, mas para o fã das antigas, ele nunca pareceu tão restritivo. Você concorda ou acha que as mudanças chegam para melhorar a experiência?

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