Guia de telas do governo explica efeitos da vida digital nas crianças

Lançado no último dia 11, o Guia sobre Usos de Dispositivos Digitais do governo federal brasileiro explica como funciona o modelo de negócios das plataformas digitais. E dá alguns exemplos dos efeitos que a vida online pode causar em crianças e adolescentes, além dos perigos da exposição a discurso de ódio, com dicas para evitar problemas.

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Além disso, o documento pede aos adultos que dêem o exemplo para suas crianças dando um tempo das telas, também. Lembrando que um estudo já mostrou que um tempo afastado das redes ajuda na saúde mental.

O guia faz parte do projeto que limitou o uso de celulares nas escolas brasileiras. Segundo o governo, trata-se de um “documento oficial com análises e recomendações sobre o tema, baseado em evidências científicas e nas melhores práticas internacionais, inteiramente comprometido com a construção de um ambiente digital mais saudável”.

Entre as recomendações, o documento sugere que bebês de até 2 anos sejam mantidos afastados das telas, exceto para videochamadas. Para crianças de 6 a 11 anos, o recomendado é ter um celular comum, apenas para chamadas de emergência. Adolescentes de 12 a 17 anos, que estão em um momento delicado da vida (puberdade), a mediação familiar é fundamental.

Você pode acessar o resumo e também o Guia sobre Usos de Dispositivos Digitais completo no site da Secretaria de Comunicação do Governo Federal.

93% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos usa internet no Brasil

É verdade que a internet é uma ferramenta poderosa para estudos, se for usada adequadamente. E, de fato, 86% das crianças e adolescentes entrevistados em uma pesquisa presente no guia disseram usar a rede para fazer trabalhos escolares. O número é maior do que os 93% que disseram estar presentes na internet, o que dá um total de 25 milhões de crianças e adolescentes.

E pior: 23% dessas crianças disseram ter usado internet pela primeira vez antes dos 6 anos de idade. Em 2025, essa proporção era de 11%. Curiosamente, a mesma proporção que diz usar a internet para trabalhos escolares também afirmou ouvir música online, enquanto 84% reportaram assistir a vídeos na rede. Claro que não são necessariamente as mesmas pessoas reportando as três atividades.

E como é a presença em redes sociais? Alto: 83% das crianças e adolescentes que usam internet afirmaram ter um perfil em alguma rede. Na população entre 15 e 17 anos, a proporção é de 99%. Mas quais redes sociais esse público usa? A pesquisa do guia responde:

O WhatsApp manteve a proporção estável, pois era de 70% em 2018. Já o Instagram cresceu, pois era 45%, ao passo que o Facebook teve participação bastante reduzida, pois era de 66% em 2018. As outras redes não tiveram as porcentagens de 2018 citadas.

Porém, é o YouTube a plataforma mais utilizada por crianças de 9 a 10 anos e também de 11 a 12 anos, com 45% em ambos os casos. Já o Instagram é mais popular entre adolescentes de 13 e 14 anos, sendo usado por 48%. O WhatsApp é o campeão entre adolescentes de 15 a 17 anos, com 78% de presença.